Vermelho faz teatro tradicional irradiar

Em um bate-papo informal depois da peça Vermelho, da qual é protagonista, Antônio Fagundes disse que antes dessa obra tinha resistência em aceitar pintores que exigem a leitura de “oito livros para serem entendidos”.

Pois Vermelho também exige alguma leitura. Nada tão profundo, mas vale a pena dar uma olhada na Wikipédia nos verbetes de Mark Rothko, que é o foco da peça, Expressionismo Abstrato, Jackson Pollock, Michelangelo e Picasso.

Ou chegue um pouco mais cedo para ler o folheto. Ali há sucintas explicações dos movimentos, artistas e obras citadas na peça. Essas mesmas informações estão expostas na parede da antesala do teatro. Assim, você não perderá o prato principal da obra, que são as discussões de história da arte. Continue reading “Vermelho faz teatro tradicional irradiar” »

[Festival de Curitiba] Julia, The movie!

Por Jean Pecharki
Uma fusão improvável do teatro à sétima arte. Assim é apresentada a montagem da carioca Cia. Vértice de Teatro para Senhorita Julia de August Strindberg. O romance entre a filha de 17 anos de um rico empresário e seu chofer tinha tudo para cair no lugar comum dos famosos clichês, tão corriqueiros em um festival de grandes dimensões.
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[Festival de Curitiba] Ganhe dinheiro assistindo teatro!

O desinteresse do curitibano por cultura da própria capital paranaense sempre me espantou. Cansei de ir em palestras, filmes, shows gratuitos e vazios por lá.

Há cinco anos, cheguei a escrever que haveria de chegar o dia em que os produtores culturais teriam que pagar para os espectadores.

E não é que esse dia chegou? Marcos Damaceno, diretor e autor do texto de Para o Vampiro – Variações nº 2, paga R$ 4 para quem for assistir sua peça no Fringe. Estudante recebe meia (R$ 2). Continue reading “[Festival de Curitiba] Ganhe dinheiro assistindo teatro!” »

[Festival de Curitiba] O que aconteceria se A Metamorfose fosse escrita por Walt Disney?

A obra teatral A Mudança, da mineira Cia do Chá, se apresenta como uma “livre adaptação de A Metamorfose”, o mais célebre texto de Franz Kafka. Livre é no sentido latu. Kafkistas puritanos, respirem fundo.

O conflito é aquele mesmo de sempre: um dia, Gregor Samsa se despertou e viu que havia se transformado em algo diferente. Kafka criou o éden dos dramaturgos. Continue reading “[Festival de Curitiba] O que aconteceria se A Metamorfose fosse escrita por Walt Disney?” »

[Festival de Curitiba] Rosa, um teatro em mono

Primeiro ponto a ser destacado do monólogo Rosa: a memória da atriz Debora Oliveri.

Sério, são toneladas de texto entoadas de forma semimonocórdica (explico ali na frente) nesse espetáculo de uma hora e meia.

A personagem fica sentada praticamente o espetáculo inteiro (se levanta uma vez) e não para de falar. Só pausa para tomar um copinho d’água algumas poucas vezes.

Mas isso não significa que a interpretação de Oliveri é ruim. Pelo contrário, esse é justamente o segundo ponto mais forte da obra. Continue reading “[Festival de Curitiba] Rosa, um teatro em mono” »

Medianeiras fala de amor em Buenos Aires

Tem gente dizendo que o filme argentino Medianeiras bebe do cinema francês para contar uma história de amor.

Só para quem acha que  cinema francês é Amelie Poulain. Medianeiras pega seus enquadramentos e argumentos do cinema romântico (com neurônios) dos EUA.

Além de Woody Allen – que chega a aparecer em uma cena com um dos seus filmes antigos -, dá para notar um ar de filmes como 500 Dias com Ela em Medianeiras. Continue reading “Medianeiras fala de amor em Buenos Aires” »

Macacos me Mordam traz choques vigorosos no Sesc

Cena da peça Macacos me Mordam

A necessidade tão masculina de disputar é o tema central da peça Macacos me Mordam, em cartaz no curioso espaço Beta do Sesc Consolação. Continue reading “Macacos me Mordam traz choques vigorosos no Sesc” »

Review de Meu País (ou #meupais)

Vi no Twitter que a hashtag #meupais (referente ao filme Meu País) está nos trending topics.

Aí lembrei que além da discussão sobre os hormônios femininos à flor da pele na estreia, publiquei uma resenha no R7 sobre o fime em si.

Se tiver algo a acrescentar/discordar/elogiar, vá em frente.

Oxigênio encena manias russas

Oxigênio é a terceira obra de teatro seguida que vejo que tem conteúdo explícitamente meta-línguístico. Antes assisti Hamelin e O Veneno do Teatro. Tendência ou coincidência?

O que não parece ser coincidência é que Oxigênio, feita a partir do texto do russo Ivan Viripaev tenha tons tchekovianos na montagem. Estou longe de ser um profundo conhecedor do teatro russo, mas fato é que as companhias brasileiras gostam de salpicar um tom pessoal/coloquial nas peças de russos. Continue reading “Oxigênio encena manias russas” »