Se ele acredita que pode piorar as pessoas ainda mais, então o diabo é um otimista.
A boutade de Karl Kraus com o diabo, com uma lógica quase dickensiana de mergulho na alma humana, não é gratuita e vale ser desmembrada. Ver-se capaz de tornar as pessoas piores do que elas já são equivale a um otimismo ingênuo ou tolo. As pessoas já são más o suficiente e nem o diabo pode piorá-las. O otimismo cria um jogo verbal porque o termo é carregado de algo positivo, quando piorar só pode ser negativo. Querer piorar é ser otimista: o bem e o mal (o positivo e o negativo) unindo-se na pele rubra de Satã. Em suma, nem o diabo pode salvar a humanidade, seja em via de redenção ou em via de condenação ao inferno. O inferno são os outros, não essa figura que tenta, em vão, nos redimir ou nos danar. Continue reading “O alcance da flecha” »