Um texto pede atenção. Correção ortográfica, coerência, regência, entre outros fatores limam a cabeça de quem escreve por ofício e hobby. Meu caso.
A internet dispõe de ferramentas maravilhosas para contar histórias de inúmeras formas, mas aqui no Trilhos eu basicamente escolho letras para falar das aleatoriedades que me acometem. Nem sempre sigo todos os passos que mandam as boas regras da comunicação. Não raro posto coisas sem revisar, faço textos onde vou empilhando frases sem necessariamente dar começo, meio e fim para o conjunto, etc.
Posteriormente vejo a publicação e morro de vergonha. Quando vejo que a bagaça é um mico em potencial, ao invés de apertar o delete, posto num sábado, rezando para que pouca gente leia. Uns 15 anos de análise e eu resolvo isso, sussa.
De quebra, incentivo que mais gente escreva, por mais que saiba bem como é essa eterna frustração.
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Este post surgiu de uma tentativa de postagem de um podcast. Não soube como ir direto ao ponto. Senti a necessidade de escrever, coisa que em princípio queria evitar. Em vários blogs que já li, é simplesmente jogar o link para começar o tal podcast e pronto, acabou.
Acho que em meu caso a resistência tem algo a ver com a ansiedade. Ao escrever, cada tecla que aperto no teclado resulta em um passo a mais para o texto. Gosto até do som das teclas sendo pressionadas – o som diferenciado da barra de espaço é pura harmonia. Para postar um áudio ou vídeo, há um processo que envolve cliques, uploads, espera e processos que parecem mais distantes, a evolução não é clara para um artesão do teclado.
A necessidade de escrever algumas linhas, sabendo que “algumas” é palavra que caminha pela doce imprecisão das particularidades, sobre o tal do podcast. Constato, com alguma dor, que essa modalidade de comunicação caminha para o abandono, tal qual os próprios blogs. Este último tem a causa mortis bem clara: luta contra as redes sociais, muito mais fáceis e cômodas de postar. Trabalhamos para Zuckeberg lucrar, na mais valia mais perversa que nem os marxistas mais apocalípticos jamais teriam imaginado. A coisa está assim e já tem muita discussão em torno do Facebook por aqui.
Agora o fim do podcast me intriga. Não que ele um dia tenha sido massivo, mas ele está sendo deixado de lado apesar de ter tudo a ver com os dias de hoje.
O podcast tem o elemento fascinante e contemporâneo da multitarefa. Aperte para iniciar a transmissão e vá navegar por onde quiser. É possível também fechar os olhos e imaginar – dom que estamos perdendo – mas essa é só uma possibilidade. Tudo isso está na aulinha básica de rádio do primeiro dia da faculdade de jornalismo, mas nem por isso os argumentos perderam validade.
Aí surgiram os tais videocasts. Ok, o PC Siqueira é/foi bom. Sua quase total falta de expressividade remete a um rádio com uma foto piscante, com um corte brusco aqui e ali, o que reforça a fala dele. Fora ele, basta navegar pelo YouTube (e alguns portalões, diga-se) para ver um videocast mais constrangedor que o outro. Um exemplo aleatório:
São os tais vloggers. Não sei o que é mais chulé: o roteiro ou a “atuação”. Coloquei aspas em atuação, logo acho que as caras e bocas que esse povo faz é o que me deixa mais consternado. Se você não conhece muito sobre esse “fenômeno”, não está perdendo nada, apenas fique com a informação de que há uma atividade intensa dessa turma no Tube, com correntes e tudo o mais.
Se eles desligassem a câmera e só ficasse com o som, talvez o resultado final fosse melhor – certamente o mico seria menor.
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Gravo semanalmente na IstoÉ Dinheiro um podcast sobre negócios de tecnologia com meu colega de redação Bruno Galo. O mote do programa era transportar para o estúdo as conversas que Galo e eu temos diariamente.
Sei que não é bem assim. Por mais que seja “bate-papo”, volta e meia a gente se vê dando mais explicações do que um precisaria dar ao outro por estarmos pensando no ouvinte. A concatenação da frase muda, não dá para se dizer que é natural.
Já surgiu a sugestão de filmarmos a conversa. Segundo o bem intencionado colega de profissão, bastaria colocar uma câmera para atingir também o público que quer assistir alguma coisa, mesmo que seja qualquer coisa (e como tem gente que aceita qualquer coisa). Mas com a imagem, provavelmente estaríamos também pensando nas expressões que deveriam ser usadas (ou seja, atuadas) e no final das contas seria um pastelão. Nem sempre o vídeo “soma”.
Uma prova disso está no Rio Grande do Sul. Os gaúchos conhecem um cronista chamado Paulo Santana, cria do rádio. Ele é pura carisma e intensidade em suas palavras no microfone. Ele também faz participações na televisão local, mas nada se compara a expressividade da voz colocada à disposição da rádio Gaúcha.
Santana também escreve para a Zero Hora. O texto dele pode soar medíocre para quem não o conhece. Quem lembra da retórica, como por exemplo a ênfase que ele põe em certas palavras, como se fosse um Brizola sob efeito de pesados alucinógenos, entende que a escrita de Santana contém uma visceralidade forte. Em suma, os podcasts de Santana o engrandecem.
Sinto que parte da motivação em fazer vídeo ao invés de rádio (ou podcast) é a tal necessidade de aparecer. Um show completo só pode ser em audiovisual, na cabecinha dessas pessoas, que preparam até vinhetas ególatras.
Enfim, fato é que no meu próximo post deste Trilhos teremos um podcast. Não um programinha, mas um trecho de uma palestra que gravei. Reforço que acho legal dar play e continuar fazendo o que você tem para fazer na frente do computador ou no celular sem crise. Perder ou não entender alguns trechos é parte do jogo. E vai ter um textinho para acompanhar o áudio, oh céus.










