São Paulo é uma cidade de grandes desafios e contrastes sociais que levam a uma breve reflexão sobre ecologia social urbana. Que vão de todas as dificuldades possíveis, do mais pobre em adquirir uma casinha para morar com dignidade ao uso de próprios municipais por empreiteiras. Como faz uma poderosa empreiteira de lixo no centro de São Paulo. Ganha uma fortuna da Prefeitura e se esbalda em área pública sem nenhuma contrapartida de responsabilidade social. A impressão que se tem é que tudo o que é do governo é de empreiteira.
Uma reflexão nesse contexto surge e fundamenta-se ao ver uma cena no final do mês passado, na Praça da Bandeira, Centro. Uma família, 7 crianças entre 1 a 14 anos, e 5 adultos – alguns de sotaque caipira e com jeito meio caiçara – carregavam malas, bolsas, e animais de estimação. As crianças, muito afetivas e falantes, de profunda inocência, olhar de esperança e fome momentânea, falavam sobre moradia.
Vitor, de 7 anos, era o que chamava mais a atenção. Carregava um gato com a cabeça para fora da mochila. O gato Frajola. Disse que gato também é gente. Todos foram se abrigar debaixo de um viaduto na avenida 9 de Julho.
Leonardo Luiz Cortez, 24 anos, quer encontrar emprego fixo, enquanto isso vai ganhar a vida com reciclagem. Relatou que estavam vindo de Mongaguá, litoral sul paulista.
A corrupção é outro desafio a ser vencido. O horror da corrupção assola São Paulo e o Brasil e impacta de maneira negativa a vida das pessoas.
A desigualdade social é brutal e torna-se maior ainda com a dimensão da corrupção que se expressa de várias formas, particularmente em São Paulo, no lucrativo negócio em aprovar edificações irregulares de shoppings centers.
Esse humilde artigo poderia estender-se com mais detalhes sobre o parágrafo de abertura. Mas a vida das pessoas é corrida na cidade grande, e como se vê no rosto dos sem-teto, sofrida.
“Uma cidade mais justa para todos”, é o tema da missa ecológica que o padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, vai celebrar no dia 10 de agosto, às 16 horas, na Praça da Sé – marco e símbolo da pobreza de uma cidade abalada por lixo, buracos, escuridão, desrespeito ao meio ambiente, violência, descaso pela vida humana e a péssima formação de gestores autoritários incrustados na administração pública da maior cidade do Brasil.



















