O morador de rua Luís Pio veste capa preta do judiciário e hospeda-se na área das Arcadas – Faculdade de Direito do Largo de São Francisco -, centro de São Paulo.
Desde que ganhou a toga de um desembargador, desperta olhares desconfiados em pedestres e até estudantes de direito. Entre os mendigos do Largo é chamado de “doutor” ou “excelência”. Faz questão de usar gravata vermelha bolinhas, calça azul-marinho escuro, sapatos pretos bem engraxados e uma maleta preta em couro sintético.
Ele diz que os estudantes já se acostumaram com a sua presença ali e às vezes até o procuram para compreender o mundo da rua.
Assim como a maioria dos acadêmicos, o morador de rua é contra cercar o Largo de São Francisco para acabar com o dormitório no calçadão. Só não acha certo seus colegas achacarem pedestres para comprar cachaça.
Sobre juízes que chegam a ganhar salário de 200 mil reais, o sem-teto desabafa: “É por isso que o Brasil está assim.”
















