Cidade descalça: a condição humana da Praça da Sé


Um chinelo de dedo que foi deixado para trás na Praça da Sé tem grande significado na vida urbana.

A maior felicidade de um indiozinho da aldeia abandonada do Jaraguá, Zona Oeste, é quando ganha um chinelinho de dedo.

Certa vez o pensador Aziz Ab’Saber disse que teve três grandes felicidades na vida. A primeira: quando ganhou um chinelo de seus pais, em São Luís do Paraintinga, Vale do Paraíba. Comentou que a vida não era fácil. A segunda felicidade: ter entrada na USP, trabalhado de jardineiro e virado professor. A terceira: ter formado a família e construído – em quarenta anos – sua casa, em Cotia, na Grande São Paulo .

O calçado de solado gasto, no fundo, mexe com a vida de muita gente. Retrata a condição humana, o sofrimento dos sem nada em nossa cidade. Faz repensar o passado, discutir o presente e pensar nas diferentes profundidades de futuro.
Talvez o padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, possa dar uma interpretação mais profunda para a peça que lembra São Francisco de Assis .

O chinelo de dedo da Praça da Sé daria uma aula na ‘Escola da Vida’ com o professor e filósofo Mário Sérgio Cortella ou a psicanalista Maria Rita Kehl.

- Tome nota: No dia 10 de agosto, sexta-feira, a partir das 15 horas,acontece na Praça da Sé, haverá uma “celebração ecológica” em defesa da vida e da cidade. Com a presença de artistas de rua e movimentos populares.

Leve os amigos e a família.

CONTEÚDO DE:
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