A palavra “clássico” é pesada. Mas pode ser usada sem contrangimentos para descrever Starfox 64, jogo de 15 anos de idade (uma eternidade para videogames) que ainda consegue empolgar. Relançando como Starfox 64 3D para o 3DS no final do ano passado, esse já é um dos grandes destaques da plataforma da Nintendo.
Em suma, é um jogo de nave (ou de navinha, como dizem os mais antigos). Viaje pelo espaço e atire em qualquer coisa que se mexer. A perspectiva da câmera é bem peculiar. Fica atrás da nave, que por sua vez tem a mira levemente torta para que o jogador possa ver os inimigos. A jogabilidade simples, com curva de aprendizado agradável, é o selo dos grandes jogos da Nintendo e Starfox está nessa prateleira.
O que diferencia Starfox 64 e mantém a atualidade desse game é a ambientação. Algumas fases remetem a cenas de filmes de ficção científica, como Independence Day e Star Wars. No entanto, a referência geral me soa mais com os diálogos desesperados das pontes de comando de um Star Trek – o tempo todo Fox, o líder do esquadrão e o personagem do jogador, e seus companheiros trocam impressões e informações sobre o que está acontecendo. Cada um dos outros três companheiros tem uma função (Peppy dá conselhos básicos, Slippy mostra a energia dos inimigos e Falco dá um ar blasé). Parece os agentes do Missão Impossível (série televisiva, por favor), onde cada um tinha uma especialidade. Não que os diálogos sejam lá muito importantes, mas ajudam na estrutura narrativa da fase.
Estrutura narrativa de um jogo de navinha? Pois é, isso é até estranho em um game cujos congêneres parecem apenas preocupados em colocar um monte de inimigos e tiros cada vez mais complicados de desviar. Starfox tem isso, mas também traz sempre um toque de “missão” para a fase. Por mais que seja em muitos casos derrotar o chefão, o fato de se dizer que há uma arma biológica perigosa dentro de um planeta aquático e que a equipe de Fox McCloud precisa ir lá dar um fim nela adiciona um algo mais. Em algumas fases, há tarefas para conseguir avançar por um determinado caminho de fases. Corriqueiro em vários gêneros, esse elemento dá todo um sabor a esse jogo de navinha.
Starfox 64 3D é um game relativamente fácil de zerar, mas a graça não termina. Como um bom jogo de navinha, parte do atrativo é fazer pontos.
Pena que a franquia Starfox tenha sofrido muitos revezes na sua trajetória, que começou com um jogo pioneiro na tecnologia de polígonos no Super Nes (o gráfico ganhou o nome de Super FX) nos anos 90. Depois de Starfox 64, veio até jogo de aventura com Fox, fazendo o personagem pagar micos trementos.
Starfox 64 3D resgata um clássico, mas quase faz o jogo ir mal. Um dos argumentos de venda do game, exposto na caixinha, é que o controle é feito pelo giroscópio – ou seja, dá para fazer a nave girar de acordo com o balançar do console. Como falei no post sobre os games de iPad, acho isso uma tremenda bobagem, uma tentativa de emplacar um modismo tosco. Não dá para jogar assim, supere isso, indústria. No mais, o game é basicamente o mesmo, com uma melhoria aqui e ali nos gráficos e com mais opções de idiomas para ouvir os diálogos desesperados.
Que a Nintendo retome essa franquia, que já foi até dada como morta em uma charge espalhada na internet.
Pode sepultar o bom-senso da Nintendo se essa franquia for abandonada.









