A morte de Jerry Lewis: sou contra


Jerry Lewis morreu. Ele nasceu em 1926 com o nome de Joseph Levitch. Foi em Newark, como Philip Roth. Para chegar ao seu nome artístico, teve que ser educado, cuidadoso e precavido: um boxer já tinha um nome parecido com o que ele pretendia usar, que era Joey Lewis. Jerry lhe cairia bem e assim ficou decidido. Tinha menos de vinte anos quando assumiu essa nova identidade, mais americana, menos russa, mas ainda absurdamente judia. E já se apresentava usando um fonógrafo dublando e alterando canções famosas da época.

Sabe, 2012 é um ano cujo primeiro semestre ainda não acabou e já tive duas perdas muito pessoais. Um ídolo tem essa proporção enorme de imortalidade e a gente nunca pensa que um dia eles vão morrer. Mas eles morrem, nos deixam. E, de tão atônitos e surpresos, não sabemos o que fazer. Sequer conseguimos preparar um obituário decente que honre ou lembre um pouquinho da história deles.
Um outro filho de imigrantes, só que da Itália, foi a grande dupla de Lewis, mais do que qualquer mulher. Dean Martin era mais do que um escada em seus shows de humor: o diálogo funcionava e, de maneira sempre improvisada, os dois trocavam no rádio – e depois na TV e no cinema – argumentos e contra-argumentos, réplicas e tréplicas que, sem parar e em ritmo frenético, punham as plateias a rir descontroladamente. Como se uma piada puxasse a outra e não desse tempo ao ouvinte, ou espectador, de rir da primeira. Nunca antes ninguém tinha feito algo parecido e até hoje nunca mais tentaram. Os comediantes, depois de Martin & Lewis, ficaram mais autossuficientes, eu acho. A ponto de Lewis também ficar mais autossuficiente e, após alguns desencontros contratuais, romper a dupla.
E então ele virou o delinquente delicado, o professor aloprado, o mensageiro trapalhão, e o terror das mulheres. Os franceses passaram a idolatrá-lo, mais do que qualquer outro comediante francês. Em uma conversa com o crítico Roger Ebert, em 1983, Lewis revelou que a França era o seu país e que os Estados Unidos eram apenas o local de sua moradia. Para ele, a diferença é que nos Estados Unidos só o seu público fiel gostava dele, mas na França a crítica o adorava. E outra grande diferença: na França os seus fãs não encostavam nele, mantinham uma distância de respeito. Já na América, eles pulavam na cabeça dele. A adulação chata, nas palavras do próprio. Não é muito diferente no Brasil.
Foi Woody Allen que descreveu a melhor reação possível à morte: “sou contra”. E agora toda essa conversa de que Jerry Lewis está para morrer, que foi hospitalizado às pressas. Também sou contra hospital, cirurgias de emergência, sustos.
Jerry Lewis morreu em dezembro de 1982. Mas foi só por dois minutos. Ele mesmo relata que sentiu seu corpo congelar durante uma cirurgia do coração e sumiu. Foi quando uma enfermeira apareceu com uma injeção enorme que, aplicada com força no peito, o fez reviver. De volta ao estado de pânico constante que o comediante jamais declarou ter saído. E já temos quase trinta anos assim: com o medo de rever aqueles dois minutos.
Mais do que um comediante, Lewis foi um homem do cinema. Inventou técnicas que o cinema jamais tinha pensado antes, mas hoje consideradas básicas. Dirigir uma cena olhando para um monitorzinho ao lado: foi ele que inventou, por exemplo. Alguns de seus filmes eram complexos e envolviam um humor que poderia se aproximar do nonsense. Deixo vocês com o começo de “O Mensageiro Trapalhão” (1960), um filme que é apresentado “não tendo nem história nem enredo. Apenas sequências tolas”. Gênio.

Não pode morrer. 
CONTEÚDO DE:
arte

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5 respostas a A morte de Jerry Lewis: sou contra

  1. ROBERTA MARTINS disse:

    Não JERRY LEWIS nunca vai morrer. Ele é eterno em nossos corações. Como sua fã fiel, eu digo e repito: JERRY LEWIS É ÚNICO, ABSOLUTO, INSUBSTITUÍVEL, INCOMPARÁVEL. JERRY LEWIS É UM HOMEM: TALENTOSO, SOLIDÁRIO, SENSÍVEL, CHARMOSO, SEXY, LINDO, PERFEITO.

    EU TE AMO JERRY LEWIS, POR TODA A MINHA VIDA E APÓS TAMBÉM.

    ROBERTA MARTINS.

    Fortaleza-Ceará

    BRASIL

  2. rita de cassia disse:

    eu acho que nos dias atuais de hoje quem recebeu um a herança desse humor marcante é o noss o querido jim karrey/com certeza ele se inspirou completemente nesse grande humorista jerry lewis que para fazer rir não usava de sacanagem e palavras de baixo galão .como se vê hoje em dia nos humoristas de modo gera se espelhem nesse grande ator que foi jerry lewis para o verdadeiro humor não morrer!!

  3. humberto disse:

    que pena nunca vou esquecer dele nunca em minha vida sera jerry lewis pra sempre.

  4. TARCISIO DANTAS disse:

    ESTOU RINDO , COM AS PIADAS DO JERRY ATÉ HOJE, A CENA DO ELEVADOR é SIMPLESMENTE FANTASTICA, SOMENTE EXPRESSOES, ADOREI TUDO QUE ELE FEZ, ALEM DE UM GRANDE CANTOR. ÚNICO, NAO APARECERÁ OUTRO.

  5. Cláudio L. A. e Silva disse:

    Um homem, um ator como poucos.
    Alguém que devemos apresentar a nossos filhos para que sua memória não morra como já aconteceu com vários outros ícones de nossa cultura.
    Um mestre na arte de fazer rir sem baixaria.
    Um amigo para as horas tristes pois quem conseguia chorar de tristeza ao ter Jerry na tela fazendo suas palhaçadas?
    Por tudo isto deixo aqui expressas minhas saudades.

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