[E3 2012] Há espaço na indústria dos games

Halo 4 foi anunciado na E3

Quando instei geral a escrever sobre tudo e todos, faltou um aviso importante: cuidado com os videogames. A natureza competitiva dos gamers fez deles uns xiitas maletas em qualquer discussão.

O último alvo deles foi a E3, a feira de games mais importante do mundo que aconteceu na semana passada. Dessa vez, eles tiveram algo de razão, mas em geral não perceberam que videogame ganhou um novo e mais elevado status na sala de estar.

A Electronic Entertainment Expo (aka E3) é o tradicional palco dos maiores lançamentos das principais fabricantes. O mercado de games fica meio parado do início do ano até esse evento. É a luz verde para os mais esperados títulos do ano.

Lembro de aguardar ansioso pelas revistas de videogame que falariam do Ultra 64, videogame que depois viria a ser chamado de Nintendo 64. Ou da surpresa de ver o tal Dreamcast, promissor e último console da Sega. Vi tudo por meio das revistas de videogame, que vinham em edições recheadas.

Essas lembranças são de um tempo em que videogame era um negócio de nicho. Hoje é uma indústria de entretenimento que vale U$ 74 bilhões. Games são os puxadores da tecnologia. E não precisa mais esperar a revista chegar às bancas para acompanhar o evento.

A prova disso é a tecnologia SmartGlass, da Microsoft. Com uma jogada de mestre, a empresa passou feito um trator na política dos Jardins Murados.

Falei grego agora? Então vamos do começo.

Uma das coisas mais irritantes da Apple é a sua política de só funcionar bem com aparelhos da própria empresa. É assim desde que Steve Jobs ficou encantado com o iTunes como única porta de entrada do iPod. Foi o começo da política de Jardim Murado.

Eu quebrei a cara comprando uma porcaria de Mac Mini e até agora pago o pato por isso – tem um post com um monte de gente me chamando de imbecil só sobre isso, se você quiser se aprofundar no assunto.

As outras empresas também estão querendo implementar essa política chamada de “Jardins Murados”. O Google faz o Android funcionar direitinho só com as traquitanas dele, a Samsung tem o AllShare (cópia do AirPlay da Apple, que permite compartilhar arquivos de mídia entre os aparelhos da marca), o Tablet Sony tem inúmeros recursos que só pode ser ativados com outros aparelhos da marca, etc.

É uma prática anticoncorrencial. É justo uma empresa querer vender o máximo de produtos e serviços aos seus clientes, mas bloquear parte dos recursos dos seus equipamentos é golpe baixo.

A Microsoft conseguiu derrubar os muros com o tal do Smartglass, um programa que conecta os aparelhos da casa sem que eles sejam da mesma marca. Como ele é um aplicativo, vai dar para instalar no iPhone e fazer ele “conversar” com a TV da Samsung. Além disso, ele permite exibiçã de conteúdo extra. Na palestra da Microsoft apareceu o Game of Thrones na televisão com um mapa no smartphone.

Difícil falar se vai dar tão certo quanto na demonstração, mas cabe destacar que o ponto central dessa nova tecnologia é o Xbox 360. É a partir dele que tudo gira. Um videogame, que agora passa a fazer as vezes de gabinet. Televisão = monitor, o smartphone = mouse e tablet = teclado. Sim, é a velha lógica do PC velho de guerra pautando a Microsoft.

A expectativa da Microsoft é conseguir o “efeito player” obtido pelo Playstation da Sony (que parece que não compareceu ao evento, tão pálidos foram seus anúncios). Muita gente comprou o Playstation 2 por ele ser tocador de DVD. O Playstation 3 foi o videogame mais interessante por um bom tempo graças a sua capacidade de rodar blu-ray.

Tudo lindo, mas e os games? Bom, aí é que os gamers acertaram.

Sempre tem um povo locão na E3

Além da Microsoft, chamou a atenção a Nintendo, que mostrou a versão final de seu novo console. O Wii U vai estar um ano a frente dos novos videogames da Sony e da Microsoft, previstos só para o ano que vem.

A Nintendo sabe que esse tempo à frente pode fazer toda a diferença. Nos anos 90, o Playstation foi lançado um ano antes do Nintendo 64 e dominou o mercado.

O novo console, porém, não conseguiu empolgar por causa da falta de criatividade dos jogos destacados. Pikmin 3 e mais um Super Mario Bros pareceram fracos.

A falta de ousadia não foi exclusividade da Nintendo. A Microsoft destacou Halo 4. Ubisoft, Assassin’s Creed III e versões do Just Dance. SquareEnix, TombRaider. E por aí foi. Só continuações de títulos consagrados.

Em suma: O videogame ganhou um novo status, isso ficou bem claro e é bom. Infelizmente, as empresas viraram as costas para o público que fez a plataforma chegar lá: os caras que gostam de jogos mais complexos, também chamados de jogadores hardcore.

Ficou a impressão de que há uma clara brecha entre Nintendo, Microsoft e Sony. Outra empresa com um outro modelo poderia muito bem atender os anseios do povo disposto a gastar R$ 200 para comprar um lançamento.

Há quem diga que a Apple poderia ocupar esse espaço. Coincidentemente, começa logo mais, às 13h (hora de Brasília), a WWDC (Worldwide Developers Conference). A expectativa é de novidades para os games, além, é claro, do iOS 6.

Quando lançou a atualização do iPad neste ano, Tim Cook, o presidente da Apple, deixou bem claro que games seriam prioridades. Testei durante esse feriadão alguns jogos com o novo iPad e… bom, seguimos o papo depois da WWDC.

CONTEÚDO DE:
tecnologia

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