[Festival de Curitiba] Quintal leva ingenuidade da infância aos palcos

A peça mineira Quintal, da Cia. Casca, mostra o jogo lúdico entre duas crianças que deixam sua imaginação voar dentro de um limitado círculo, desenhado com giz no piso do palco.

Com alguns poucos objetos jogados no cenário (lata, toalhas, bolas…) as duas crianças se divertem. Até que a necessidade de romper as divisas surge e põe em xeque a maturidade dos dois.

Foto: Elenize Dezgeniski

Atores adultos em personagens infantis podem levar a montagens desastrosas. O ponto que divide os que gostam e desgostam de Quintal é esse pacto. As interpretações seguras de Francis Severino e João Filho ajudam a garantir que a maioria aprove a peça, que recebe o apoio do grupo Galpão por ter vencido o Festival Cenas Curtas, de Belo Horizonte.

A dupla briga, faz as pazes, chora, brinca e ri com extrema intimidade, tal qual as crianças. Os dois impõem olhares curiosos e ingênuos nos personagens. Me fez lembrar Macacos me Mordam, só que Quintal é a versão infantil. Conclusão para quem viu as duas peças: Homens têm uma montanha-russa de emoções, não importa a idade.

Foto: Guto Muniz

No Cenas Curtas, as companhias são convidadas a mostrar esquetes de 15 minutos, tanto de obras que conseguem ser concluídas nesse tempo quanto de trechos que precisam de apoio para angariar uns minutos a mais. Esse último caso é o de Quintal.

O enredo só resbala ao usar o elemento água como a obsessão dos dois. Isso remete à trágica situação social de algumas regiões do Brasil, o que fez o espectador misturar o lúdico com o concreto. O argumento social é vazio em Quintal.

De qualquer forma, a companhia mostra envergadura para cavar em breve um espaço na mostra oficial

No Festival de Curitiba deste ano, Quintal faz parte da seção Grupos de BH: Teatro para ver de perto, que conta com nove espectáculos.

CONTEÚDO DE:
arte

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