[Festival de Curitiba] Baraka e a fragilidade do Fringe

Falamos aqui no trilhos de Quintal e Four Legged Melancholy, duas obras vinculadas a subcuradorias do Fringe. Com centenas de peças em cartaz, é uma boa saída para escapar das inúmeras porcarias que o formato vale-tudo atrai.Mesmo assim, resolvi arriscar e assistir Baraka, sem qualquer tipo de indicação ou destaque no meio da programação.

Tinha um tempo livre entre um espetáculo e outro e achei que um trabalho de dança seria uma boa forma de matar o tempo. Outro argumento é que a obra tem o nome do meu personagem favorito de Motal Kombat 2.

O que vi foi de dar pena. Era comovente a mistura de amadorismo com boa vontade e esforço de Mirabai, protagonista, diretora e faz tudo da peça. Ela, que veio do Distrito Federal, faz uma dança tradicional da Índia chamada Bharatanatyam, que constrói uma narrativa através de gestos.

Uma das coisas que me fazem ter aversão à ópera clássica é a necessidade de se conhecer bem o enredo antes da obra ou saber muito do idioma original da obra (geralmente, italiano). Baraka pede o mesmo tipo de estudo prévio.

Talvez tentando popularizar sua dança, Mirabai coloca músicas de tudo quanto é tipo no show. Há desde ritmos andinos até brasileiros, em meio a música tradicional indiana. A despedida é feita ao som da marchinha de carnaval Ó Abre Alas. Não posso dizer que não fiquei surpreso.

O fato é que em alguns momentos a dança perder leveza e ter pouca sincronia com a música se deve ao desejo de Mirabai de colocar elementos de samba na apresentação.

Uma coisa que traz interesse ao Bharatanatyam é a evolução de mãos e pés, gesticulados com graça, e expressão facial, gélida e com sutis diferenças ao longo do espetáculo. E só.

CONTEÚDO DE:
arte

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