O calçadão da rua Barão de Itapetininga, centro de São Paulo, não tem o glamour de antigamente. Moradores de rua – expulsos das escadarias do pomposo ‘Palácio da Cultura’, o Theatro Municipal – desaparecem no concreto, ambulantes vendem produtos piratas e homens de cabelos brancos oferecem atestados falsos. Bicicleteiros em horário de pico no calçadão, o que é desaconselhável, sempre arranham pedestres. O uso de bicicleta para trabalhar é cada vez maior na região central da cidade, e a criação de ciclofaixas nos calçadões seria importante, ajudaria na cultura do respeito à mobilidade urbana.O entardecer entre os arranha -céus, muitos vazios e com mofo, aperta os passos. Se não fossem a buraqueira nas ruas do centro, a iluminação ruim que guia à iluminada Galeria do Rock – entre a Avenida São João e a rua 24 de Maio – os constantes furtos e vandalismo, o centro estaria mais bonito e menos triste; não é só a tristeza sentimental,administrativa também.
Os orelhões do centro estão todos lambuzados de chicletes e adesivos indevidos. Precisam de higienização e manutenção.
Sobre a venda de atestados um orelhão marcado por mãos vermelhas traz o seguinte recado no calçadão da Barão: “Pica -Pau e plaqueiros de atestados falsos, logo vão se juntar com Queimadinho e Marcelo na cadeia.”
O vandalismo acontece à luz dia no centro. Na esquina da rua 7 de Abril com a avenida Ipiranga – paralela ao calçadão – um adolescente, aparentando 15 anos, ignora a presença de vigilantes do Metrô República e desparafusa a peça que protege o semáforo. Uma mulher pergunta indignada aos seguranças: “Vocês não fazem nada?”. Calmamente, um segurança responde: “Infelizmente, não! Ele é menor. São os privilégios da lei.” O garoto diz com voz grossa e firme: ” É isso mesmo.” A mulher, Luciene, profissional liberal, reage: ” Isso é um absurdo, ultrajante.”



























