Em outubro do ano passado, mais uma parte da história foi destrinchada e sangrada pelas mãos de Art Spiegelman, o gênio por trás de Maus. A editora Pantheon lançou o livro Metamaus: A Look inside a Modern Classic, obra definitiva que esmiuça um dos primeiros quadrinhos (senão o primeiro) a entrar para o alto cânone da experiência literária moderna. Comprei o livro agora em janeiro e, de lá pra cá, tenho o devorado diariamente.
Trata-se de uma longa entrevista em que a professora Hillary Chute, a maior especialista no assunto, teve com o autor. Desde 2006 ela coletou dados, arquivos, fotos e teve livre acesso ao que o autor chama de seu “rat’s nest”. Foi ela quem encabeçou e editou o projeto e, mais, quem acabou convencendo Spiegelman a torná-lo possível e concreto.No entanto, reduzir o livro a uma “longa entrevista” é injusto demais. Dividido em três seções principais, o livro inteiro é pontuado de miniseções especiais com imagens raras, desconstruções de grandes momentos de Maus, em que acompanhamos o processo criativo do artista bem de perto, ali no papel, na nossa frente. Páginas inteiras cortam a “entrevista” com curiosidades sobre o livro, as traduções possíveis e impossíveis (a única língua para o qual Maus não foi traduzido é o árabe), interrelações com outras obras, análises e estudos aprofundados, às vezes, sobre um único frame de uma das páginas do original.
A saber, as três partes principais do livro são: (1) Why the Holocaust?; (2) Why mice; (3) Why comics?. Autoexplicativos, os títulos desses capítulos sintetizam 99% das perguntas que Spiegelman ouviu durante toda a sua vida, desde a publicação de Maus e o consequente sucesso, em 1986, com o primeiro volume.
Não bastassem essas 300 páginas recheadas de referências e autorreferências, o livro ainda acompanha um cd-rom com as entrevistas que Art fez com o seu pai em áudio, caderninhos de anotação, rascunhos e ensaios sobre a obra escrito por especialistas em literatura, quadrinhos e judaísmo. Isso sem contar, a cereja do bolo, os dois volumes de Maus na íntegra, com ferramentas de busca por termo, data da 2ª Guerra, capítulo, personagens ou falas e momentos específicos. Demais.
Por enquanto, nada de tradução no Brasil. Mas certamente, e aproveitando a vinda do gênio a São Paulo no fim de maio, a Companhia deve providenciar a edição em português do livro. Alô, alguém da Companhia?













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