Erro discreto de jornalista – parte 2

Aproveitando a deixa do post sobre erros de jornalistas, não posso deixar passar em branco informações que me foram dadas a respeito da postura de profissionais da imprensa que cobriram a reintegração de posse da USP, já discutida neste espaço.

Dois profissionais diferentes me relataram que alguns jornalistas agrediram os estudantes da USP, fisicamente e verbalmente.Obtive essa informação por uma pessoa que me contou sem eu pedir. Desconfiei.

Chequei com um segundo, que confirmou parte do relato, mas não desmentiu a outra parte – disse apenas não saber.

Como eu acho que duas pessoas contando um dado tão polêmico é pouco para dar detalhes da suposta ação maliciosa dos jornalistas, vou omitir detalhes que podem incriminar um ou outro.

De qualquer forma, se isso aconteceu ou vier a acontecer, a prática do jornalismo profissional está em risco. Explico.
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Jornalistas têm condições privilegiadas nesse tipo de conflito por serem uma garantia de que ambos os lados vão atuar de forma leal.

Isso também permite relatos mais fidedignos para que a sociedade possa ela mesma tomar uma posição sobre o ocorrido. Não vou enveredar pelo caminho da isenção neste texto, mas na essência é isso o que nos dá esse “privilégio”.

Se os jornalistas passarem a agir de forma irresponsável, tanto a posição de mediador quanto a de relator desaparecem.

Mais: jornalistas passarão a ser alvo preferencial de agressões. E não terão mais o respaldo da sociedade civil, que faz com que um empurrão em uma repórter seja visto como uma grave agressão.

É o que já se vê em nos atuais grandes conflitos de escala mundial, embora por motivo diferente – jornalistas norte-americanos passaram a ser vistos a partir do final da década de 90 como agentes de propaganda do seu país (isso também abre margem para uma discussão daquelas, mas embora tentador, prefiro não perder o foco).

Sem essa espécie de aura que protege os repórteres, o jornalismo de segurança pública será o primeiro a sofrer.

Em anos cobrindo a editoria de Cidades em Curitiba e em São Paulo, cansei de entrar em zonas de alto risco, respaldado apenas pelo crachá.

Paro aqui com as consequências de se ter uma imprensa que resolve provocar um dos lados para obter notícias. O resto das implicações você mesmo pode imaginar. Palavra-chave: credibilidade.

Repito: não sei se é verdade. Mas só a possibilidade já me dá arrepios.

CONTEÚDO DE:
cidade

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