Dei um pitaquinho sobre Donka: Uma carta para Tchekchov que merece melhores explanações.
Se trata de uma grande homenagem circense ao escritor e dramaturgo russo Anton Tchekhov.
É daqueles autores que a gente mais ouve falar do que realente lê. Vi encenações de apenas duas obras: Tio Vânia, pelo grupo Galpão e A Gaivota, do Piollin Grupo de Teatro.
Em comum, ambas tinham um tom de interpretação bastante perto da conversação informal, característica que Donka respeita nos poucos diálogos, e personagens sólidos, que Donka desrespeita.
A proposta de Donka é fazer dança e acrobacias com elementos caros de Tchekhov, como a pesca. Assim, a homenagem não fica piegas e a linguagem de circo sai do já batido.
Aliás, o circo e o surrealismo harmonizam perfeitamente desde sempre.
Para entender o que quero dizer: horas antes, no mesmo Sesc Pinheiros, houve a apresentação gratuita dos simpáticos irmãos Becker fazendo malabares.
Era tudo aquilo que a gente vê sempre nesse tipo de apresentação: pedidos constantes de aplausos, trocadilhos fracos, trapalhadas, figurino clichê…
Os Beckers só surpreenderam quando um deles simula que vai pegar uma bolha de sabão, rapidamente a substituindo por uma de suas esferas transparentes que virá a fazer malabares.
Parece tolo, mas é a única vez que eles conseguem fazer uma surpresa.
Entenda, a acrobacia dos caras é ótima. Isso é o mais difícil. Minha cisma é com a linguagem deles.
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Voltemos a Donka.
Estão lá vários recursos conhecidos do circo: trapézio, malabares, patinação, clowns… mas tudo está baixo um guarda-chuva de significados oníricos que fazem cada estripulia crescer muito mais.
Mesmo para mim que não sou grande conhecedor de Tchekhov, dá para pescar onde estão as referências ao autor – há uma narradora que dá uma mãozinha para os perdidos como eu.
O espetáculo infelizmente chegou ao fim de sua segunda temporada no Sesc Pinheiros, mas vale a pena ficar atento caso volte. E vale ler mais.













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